Convocados para votar na Assembleia Geral das Nações Unidas, no âmbito das sanções contra a Rússia, os países africanos surpreenderam muitos por não concordarem com a direção desejada pela comunidade internacional.
Na última quarta-feira, a ONU realizou uma Assembleia geral cujo motivo era de votar na adoção de uma resolução contra a invasão da Ucrânia pela Rússia. Onde os países africanos foram também convidados para esta Assembleia geral. E entre estes, 16 países incluindo a África do Sul votaram neutros, 6 países abstiveram- se de votar e a Eritreia votou contra. E isso fez da Eritreia um aliado declarado abertamente da Rússia, e não colocando de fora a Bielorrússia, a Coreia do Norte e a Síria.
Esses votos, na qual poderiam ser descritos como um voto de sanção, mostram claramente o estado de espírito da África. Este último está resolutamente determinado a se afastar da política ocidental. Desde o início desta crise, com exceção de alguns casos isolados, os países africanos não se manifestaram abertamente. No entanto, a atitude oposta é também observada no Ocidente. Onde, a maioria dos países ameaça estender suas sanções acusando a Rússia aos crimes de guerra e alegar ser capaz de deixar instável a economia russa. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) chegou a suspender a Rússia da próxima Copa do Mundo de Futebol, que será realizada no final do ano no Catar.
Em sede a essa turbulência, a Rússia encontrou fortes aliados na África, que é particularmente o caso da África do Sul. No auge da crise do Apartheid, a Rússia sempre foi uma tremenda ajuda e apoio ao país de Nelson Mandela. Hoje, obviamente, a África do Sul pretende ficar em dívida com eles. Lindiwe Zulu, Ministra do Desenvolvimento Social da África do Sul, disse em uma entrevista que: “A Rússia é nossa amiga por completo. Não vamos trair esse relacionamento que sempre tivemos”. É importante notar que Lindiwe Zulu, durante os tempos do Apartheid, esteve estudando na Rússia.
A relação entre a África e a Rússia remontam à era da Guerra Fria. Onde vários líderes africanos estabeleceram parcerias econômicas, políticas e militares com a Rússia. Onde alguns tornaram- se clientes de armas preferidos. No primeiro dia do conflito, um líder sudanês viajou para Moscou, onde foi recebido pelo chanceler russo.
Marrocos, cujo foi por várias vezes um aliado dos Estados Unidos, fez uma declaração que completamente de acordo com a Rússia. Isso desagradou muito Washington.
Na Etiópia, o apoio à Rússia é acentuado.
Comemorando uma batalha do século 19 contra os italianos, a bandeira russa tremulou no ar de Adis Abeba. Durante esta batalha, soldados russos lutaram bravamente ao lado dos etíopes. Em Camarões, nas ruas da capital econômica Douala, moto taxistas desfilaram com retratos do presidente russo Vladimir Putin, dando-lhe todo o seu apoio.
Em Uganda o sentimento pró-russa também foi acentuado. O tenente-general Muhoozi Kainerugaba, cujo é atual filho de chefe de Estado ugandês Yoweri Museveni, publicou em na rede social do Twitter que: “A maioria da humanidade (que não é branca) apoia a posição da Rússia na Ucrânia”. Ele não parou por aí, continuou provocando um pouco o Ocidente dizendo que: “Quando a URSS estacionou mísseis nucleares em Cuba em 1962, o Ocidente estava pronto para explodir o mundo. Agora, quando a OTAN faz a mesma coisa, eles esperam que a Rússia faça diferente”.
No entanto, nem toda a África é a favor da invasão russa na Ucrânia. De facto, 25 países votaram a favor das sanções contra a Rússia, especialmente Quênia e Gana. Um conflito externo que continua a criar divisões em África numa altura em que o continente precisa estar mais unido, do que estar no passado.